
Como eu conheci o Kiro e iniciei minha jornada com a IDE mais maneira do momento.
Conheça o Kiro na prática por meio de um laboratório real, desde a definição de requisitos até a execução da aplicação. Uma experiência explorando IA generativa, Spec-Driven Development e uma nova forma de desenvolver software com apoio de agentes inteligentes.
Não é de agora que eu ouço falar do Kiro e, recentemente, me reconectei a esse software para pesquisar e aprender como utilizá-lo no meu dia a dia. Na verdade, conheci o Kiro em dezembro de 2025, quando fui pela primeira vez ao AWS Re:Invent, em Las Vegas.
Em Vegas, a galera pode visitar a famosa Casa Kiro, e todos puderam sentir um pouco dos desafios que os desenvolvedores enfrentam no dia a dia e descobrir que existe um super parceiro: um agente muito misterioso chamado Kiro. Ele simplesmente é um fantasma, porque não aparece em lugar nenhum, mas está presente justamente no principal ambiente do desenvolvedor: sua IDE.
É ali que ele encontra várias ferramentas para produzir código cada vez mais rápido, com qualidade, atendendo requisitos, design, produto, testes e muito mais. A união de todos esses temas nunca foi tão importante quanto é atualmente.
Então vem comigo, porque hoje nós vamos fazer um laboratório! Eu e meu amigo Wagner Landim, aqui em Brasília, temos explorado bastante o KIRO junto com o nosso grupo de usuários. Vamos lá?

Speaker Wagner Ladim
Se você já está familiarizado com o VS Code no seu dia a dia, também vai gostar muito da interface do KIRO. Inclusive, você pode trazer suas configurações do VS Code para ele. Assim que instala o Kiro na sua máquina, o software pergunta se você deseja importar suas configurações do VS Code. Dessa forma, você mantém o seu jeitinho de desenvolver dentro do Kiro, sua nova IDE com inteligência artificial integrada de ponta a ponta, indo muito além do vibe coding.
A gente sabe que, para desenvolver software, sempre houve a necessidade de uma espécie de prancheta. Pode ser um papel, uma folha, um bloco de notas ou até mesmo uma IDE. Uma IDE é um ambiente de desenvolvimento utilizado por desenvolvedores de diferentes áreas e linguagens de programação.
Para quem deseja se aprofundar no conceito de IDE (Integrated Development Environment), a IBM possui uma excelente explicação sobre como essas ferramentas integram editor de código, compiladores, depuradores e outras funcionalidades essenciais ao desenvolvimento moderno.
Referência: https://www.ibm.com/br-pt/think/topics/integrated-development-environment
As IDEs ajudam a transformar nossas instruções em algo que a máquina consegue entender. Isso mesmo! Tornam nossa escrita compreensível para o computador. Assembler, por exemplo... Tanenbaum que o diga!
Uma IDE possui compiladores, interpretadores e diversas outras ferramentas que ajudam os desenvolvedores a serem mais produtivos, preparando códigos melhores em ambientes de teste, realizando deploys mais suaves e evitando problemas muito antes de enviar qualquer coisa para produção.
Se você deseja entender melhor o papel dos compiladores no desenvolvimento de software, vale a leitura deste material:
https://www.ibm.com/br-pt/think/topics/compiler
Decidimos então, em nosso grupo, explorar juntos o Kiro porque entendemos que uma forte tendência para os próximos anos será o desenvolvimento com agentes de IA, IA generativa e tecnologias semelhantes. O profissional que deseja atuar na próxima década precisa entender essa necessidade e explorar os benefícios de ter uma Agentic IDE a seu favor. Vamos a alguns detalhes importantes para você que deseja explorar a ferramenta:
1. Kiro é uma IDE baseada em IA de ponta a ponta para desenvolvimento de software;
2. Não é necessário ter conta AWS para acessar o software, muito menos cartão de crédito;
3. A unidade de medida usada para faturamento no Kiro se chama créditos. Os modelos de IA disponíveis podem consumir quantidades diferentes destes créditos. Modelos com performances melhores são mais caros e por fim, usam mais créditos;
4. Para usar o Kiro, você poderá usar uma camada gratuita (free tier), mas ela é limitada, por isso outras subscriptions poderão ser necessárias. Uma conta enterprise permite criptografar dados, as demais não oferecem estes recursos.
5. O Kiro tem uma comunidade vibrante de desenvolvedores, embaixadores e entusiastas. Aproveite os programas: https://kiro.dev/community/
6. Aqui, a engenharia de software continua sendo extremamente importante, não pense que, por a ideia ter nascido do vibe coding, ela deixará de possuir documentação, design, validações e boas práticas de desenvolvimento.
De volta ao texto principal, quero falar para vocês sobre dezembro de 2025. Estávamos ouvindo o Werner falar sobre o tema Back to the Future, e foi uma experiência muito divertida. Ele abordou a evolução das tecnologias e, principalmente, a forma como desenvolvemos software ao longo do tempo.
Gente, eles mostraram a era do COBOL! Foi emocionante e nostálgico. Achei muito interessante o termo que ele utilizou: **desenvolvedor renascentista**. Uma espécie de desenvolvedor que renasce das cinzas, possui uma qualidade incrível de trabalho e tem orgulho da sua profissão.
Eu me lembro dele falando sobre a linda e sustentável colaboração entre profissionais sêniores, plenos e juniores, e como esse círculo é fundamental para a manutenção e a evolução do conhecimento técnico.
Depois de abordar uma das maiores preocupações atuais dos profissionais de tecnologia — o receio de que a IA substitua suas carreiras —, ele falou sobre a necessidade de evoluir, aprender e crescer continuamente. Daí surgiu o conceito dos desenvolvedores renascentistas.
Em seguida, Werner passou o bastão para Claire, uma Senior Engineer do time do Kiro, que simplesmente dominou o palco. Ela compartilhou conosco as ideias por trás do desenvolvimento do Kiro e explicou como áreas como produto, engenharia de software e design foram incorporadas à ferramenta.
O conceito apresentado por Werner Vogels durante o AWS re 2025 foi muito bem resumido neste artigo do Dan Rezende:

https://www.linkedin.com/pulse/aws-reinvent-2025-resumo-do-%C3%BAltimo-keynote-werner-vogels-dan-rezende-xoelf/
Um detalhe que achei fantástico foi descobrir que eles utilizam o próprio Kiro para desenvolver o Kiro. Hahaha! Achei isso realmente emocionante.
Claire falou sobre o poder de prototipar rapidamente, falhar cedo, corrigir o rumo e seguir evoluindo até compreender e atender às necessidades dos usuários. Também comentou sobre o desafio de estruturar o software de forma que ele ajudasse os desenvolvedores a refinarem suas ideias e saírem do caos do vibe coding.
Tudo isso ajudou a moldar a estrutura atual do Kiro. Segundo a Claire, até o Re:Invent já haviam sido lançadas 12 versões da ferramenta. Se não me engano, naquela época o software ainda estava em preview.
Bem, vamos conhecer a estrutura do Kiro?

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=3Y1G9najGiI
KIRO e sua carinha!


Algumas considerações sobre a interface do Kiro:
1. Editor – Local onde ficam os arquivos gerados pelo Kiro, como arquivos .py, .txt, .js, entre outros;
2. Chat Kiro – Espaço para conversas, solicitações e interações com a IA;
3. Tipos de sessões de chat – Vibe para atividades e iterações rápidas baseadas em prompts bem elaborados; Spec para criações que exigem maior exploração, refinamento e funcionalidades mais complexas;
4. Modos do Kiro – Aqui você pode selecionar o modo Autopilot e deixar o Kiro trabalhar com menos intervenções, ou o modo Supervised, no qual cada ação realizada pelo Kiro pode ser avaliada e validada por você;
5. Features – O verdadeiro suprassumo do Kiro, reunindo recursos como Specs, Hooks, Steering e MCP Server;
6. Conjunto de recursos avançados – Inclui os Powers para utilização de MCPs com otimização dinâmica, ativando integrações automaticamente conforme a necessidade das tarefas (tasks) em execução.
E tem muito mais, não percam os conteúdos da Ana Cunha no canal AWS Developers LATAM! #ficaadica
https://www.youtube.com/watch?v=CJoZWsvWals
Baixe a versão adequada para seu computador:
Roteiro do kiro laboratório para criar uma aplicação em Python – página web, formulário simples para download de documentos pdf.
1 – Você já conheceu a interface do Kiro anteriormente, dessa forma vamos abrir o chat na sessão SPEC porque precisaremos de refinar bastante nossa ideia, através de linguagem humana e contexto faremos nossa conversa e requisições ao Kiro.

2 – O Kiro faz um refinamento inicial da ideia, propõe uma arquitetura para a aplicação, desenha o fluxo do processo, estima custos e faz várias perguntas de contexto para entender melhor o cenário. Tudo isso ajuda a refinar a solução antes mesmo de começar a gerar código.


OBS: O Kiro possui um contador que mostra o consumo dos seus créditos e a latência de cada interação.
Outra funcionalidade interessante é a possibilidade de escolher como deseja trabalhar com a ferramenta. No modo Supervised, você acompanha e valida cada etapa sugerida pelo Kiro. Já no modo Autopilot, ele ganha mais autonomia para tomar decisões, executar tarefas e seguir com a implementação de forma mais independente.
3 - OBS: Os Checkpoints funcionam como uma espécie de "voltar no tempo". Se você não gostar de alguma alteração ou precisar desfazer o que foi feito nesta etapa, basta retornar ao checkpoint anterior e seguir por outro caminho.

4 – Neste momento, precisamos fornecer um novo input para responder aos refinamentos propostos pelo KIRO. Como o objetivo aqui é demonstrar a ferramenta, vamos seguir com uma abordagem mais simples.

OBS: O Kiroàs pergunta se você aceita as propostas:

Damos uma olhada nas pastas que ele criou para validar os requisitos.
5 – O Kiro é estruturado em três partes. Como a Claire comentou durante o AWS Re:Invent, essa abordagem foi criada para dividir o processo de refinamento em etapas lógicas e organizadas. Esses três pilares trabalham de forma integrada para transformar uma ideia inicial em uma solução bem definida, com requisitos, design e tarefas claramente estabelecidos.
Essa abordagem é conhecida como Spec-Driven Development, uma metodologia que busca transformar requisitos, design e implementação em um fluxo estruturado e rastreável.
Referência oficial:
https://aws.amazon.com/pt/documentation-overview/kiro/

Requirements é focado na engenharia de requisitos, organizando a solução por meio de histórias de usuário (user stories), regras de negócio e critérios de aceitação.

OBS: Gostei do que o Kiro sugeriu como requisitos e critérios de aceitação, então aprovei tudo e segui em frente.
Mas o trabalho com requisitos não termina nessa etapa. O Kiro continua refinando a solução e trazendo novos ajustes importantes para que o usuário possa avaliar, validar e evoluir a ideia antes de partir para a implementação.

Aqui você pode aceitar item por item, ou de uma forma única.


6 – Passado o primeiro pilar de requisitos, vamos para o segundo pilar: Design. Aqui o Kiro monta para nós uma estrutura visual e técnica que permite refinar ainda mais a ideia. Ele apresenta a stack escolhida, os processos da funcionalidade em construção, a arquitetura, os componentes e as interfaces da aplicação.
O mais interessante é que vários itens que normalmente eu criaria separadamente, em documentos diferentes e sem um roteiro claro, passam a ser organizados pelo Kiro de forma estruturada e integrada.

Neste meu exemplo foram mais de 300 linhas de descrições.

Gostei bastante do que o Kiro propôs na etapa de design e aprovei tudo depois de ler todas as descrições geradas. Na sequência, ele apresenta um resumo no chat com os principais pontos da solução, e decidimos seguir para a próxima etapa.
7 – Chegamos ao último pilar do Kiro. Depois de passar pelas etapas de requisitos e design, solicitei que ele seguisse para Tasks, onde toda a ideia refinada é transformada em uma lista estruturada de atividades para implementação.

Essa tela mostra que a lista de tarefas foi concluída e organizada, inclusive com checkpoints de validação para que possamos voltar ás estas etapas anteriores, caso seja necessário.
Sim, tudo no Kiro acontece por etapas! A ferramenta divide o trabalho em pequenas entregas e executa várias atividades de forma organizada, algumas em sequência e outras em paralelo, facilitando o acompanhamento de toda a evolução da solução.

Para rodar as tasks, podemos escolher entre executá-las uma por uma, acompanhando cada atividade gerada pelo Kiro, ou utilizar a opção Run All Tasks, que executa toda a fila de tarefas automaticamente.



Aqui o Kiro já mostra no chat que criou as dependências.

Aqui estão as dependências já criadas.
Eu escolhi rodar as *tasks* uma por uma para acompanhar melhor o que o Kiro estava construindo. Mas vou mostrar apenas algumas delas, porque foram geradas mais de 20 tarefas ao longo do processo.
Algumas nem chegam a ser obrigatórias para a aplicação funcionar, pois são tarefas voltadas para testes complementares, como testes de propriedades e testes unitários adicionais, que ajudam a garantir ainda mais qualidade ao projeto.
8 – Exemplos de tasks geradas e executadas pelo Kiro:



O Kiro funciona da seguinte forma: ele cria as tasks, organiza tudo em uma fila de execução e pode executá-las uma por uma ou todas automaticamente, dependendo da sua preferência.
Eu, particularmente, preferi acompanhar cada atividade individualmente para entender melhor o que estava sendo criado e validar algumas das pastas e arquivos gerados ao longo do processo.
Sempre que uma ação exigir a execução de algum comando, o Kiro irá apresentá-lo para você. Basta clicar e confirmar a execução. Se quiser acompanhar tudo acontecendo em tempo real, recomendo manter o terminal aberto. No meu caso, utilizei o Terminal do macOS.

Maravilha!!

Bem, chegou a hora de verificar se a nossa aplicação está rodando corretamente.
9 – Primeiro, vamos abrir o terminal (command line) para identificar o endereço localhost onde a nossa aplicação está sendo executada:

10 – Segundo, vamos rodar o endereço na máquina:

Wow! Realmente rodou, será?
11 – Vamos tentar subir um documento:

Bahhhh! Um erro, mesmo rodando localmente!?
Hum... você consegue identificar o que há de errado com esta aplicação?
Eu consegui descobrir analisando a mensagem de erro exibida no terminal (command line). Percebemos que seria necessário ajustar a aplicação para que o KIRO criasse uma pasta local para armazenar os documentos enviados, em vez de tentar salvá-los diretamente em um serviço externo.

12 – Vamos investigar o erro.
Percebemos que a aplicação havia sido projetada inicialmente para armazenar os arquivos em um bucket Amazon S3. Porém, eu não havia executado a etapa de configuração em nuvem sugerida pelo KIRO. Na prática, optei por evitar essa configuração neste momento e manter o exercício rodando apenas localmente. Hahaha! Então vamos corrigir isso.
Voltamos ao Kiro e solicitamos um ajuste para que a aplicação funcionasse em ambiente local. O mais interessante é que ele não apenas adaptou a solução para armazenamento local, como também deixou a aplicação preparada para funcionar tanto localmente quanto na nuvem, caso fosse necessário no futuro.


O Kiro me forneceu até mesmo os comandos necessários para realizar um novo teste. Então fui direto para o terminal (command line) e... zaz!

Enfim! Nosso 200 OK!

Tudo isso com uma IDE baseada em Spec-Driven Development e IA integrada de ponta a ponta, conectando o desenvolvimento tradicional a uma nova forma de construir software.
No Kiro, a IA não substitui os fundamentos da engenharia de software. Pelo contrário: ela potencializa o trabalho com requisitos, arquitetura, design e organização das tarefas, transformando ideias em soluções de forma mais estruturada, colaborativa e eficiente.
As funcionalidades que tornam o Kiro tão especial

Espero que você tenha chegado até aqui e conhecido melhor o Kiro, nosso amigo invisível e superpoderoso. Mais do que uma IDE com IA, ele representa uma nova forma de pensar, planejar e construir software.
Vamos deixar algumas Purple Pills aqui para todos, até a próxima!
1 - Visite a página oficial do @awsdeveloperslatam para conhecer na íntegra**,** o Kiro!
2 - Separei aqui alguns artigos muito especiais publicados na plataforma AWS Builder. Se você ainda não tem uma conta, aproveite para criar a sua e fazer parte dessa comunidade fantástica de aprendizado, colaboração e compartilhamento de conhecimento: Alias, no Builder @prisantos
3 - Baixe a versão adequada para seu computador:
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