AWS Builder Center
IA não substitui desenvolvedores — mas quem não usá-la vai ficar para trás

IA não substitui desenvolvedores — mas quem não usá-la vai ficar para trás

Reflexões e demonstração prática sobre como ferramentas de IA como o Kiro estão transformando o dia a dia de quem trabalha com tecnologia, apresentadas no meetup do AWS User Group do Rio Grande do Sul.

Tive a oportunidade de apresentar uma palestra sobre o Kiro — o assistente de IA da AWS — no meetup do AWS User Group do Rio Grande do Sul. Foi uma experiência que me fez refletir bastante sobre o momento que estamos vivendo na tecnologia e sobre como os profissionais precisam se posicionar diante das ferramentas de inteligência artificial.

O reencontro com Porto Alegre

Quem me apresentou ao público foi a Stephanie, líder do User Group gaúcho, com quem tenho uma amizade de mais de 7 anos — fomos colegas em uma consultoria em Porto Alegre lá em 2019, quando eu visitava a cidade semanalmente durante nove meses. Reencontrar esse ecossistema tecnológico que conheço tão bem, agora na posição de palestrante, foi especial.

A mensagem central: IA não substitui, amplifica

Antes de abrir o terminal e começar a codar ao vivo, fiz questão de endereçar o elefante na sala: o medo de que a IA vai tirar empregos de desenvolvedores. Minha visão é direta — a IA não vai eliminar o emprego de quem trabalha com tecnologia. Mas vai eliminar o emprego de quem se recusar a usá-la como ferramenta de produtividade. A diferença é enorme.
No meu dia a dia como AWS Community Builder e líder do grupo de Campinas, uso o Kiro constantemente para construir POCs e protótipos para novos clientes. O que antes levava dias, hoje entrego em horas, com qualidade suficiente para validação e testes. Isso não acontece porque a IA faz tudo sozinha — acontece porque eu sei direcionar a ferramenta e, principalmente, validar o que ela entrega.

Construindo um app ao vivo, do zero

A parte mais divertida da palestra foi a demonstração prática. Pedi sugestões à audiência e alguém sugeriu, com bom humor, que criássemos uma alternativa ao Meetup — um aplicativo de gestão de eventos. Aceitei o desafio.
Parti de um diretório completamente vazio. Criei um arquivo spec.md com uma descrição deliberadamente genérica: front-end em Vue.js, back-end em Python com FastAPI, armazenamento local com SQLite, e instruções de segurança seguindo o AWS Well-Architected Framework e princípios de Zero Trust.
O que impressionou a audiência foi que o Kiro não saiu simplesmente gerando código. Ele fez perguntas inteligentes antes de implementar qualquer coisa: se deveria incluir inscrição de participantes, qual estratégia de armazenamento usar, se a autenticação JWT deveria ser implementada agora ou depois. Esse diálogo é fundamental — e é exatamente o que diferencia uma ferramenta de IA madura de um simples gerador de código.
Em poucos minutos, tínhamos um aplicativo funcional: back-end na porta 8000 com documentação automática da API, front-end na porta 5173 com tela de login e cadastro. Criei uma conta, visualizei eventos, criei novos, fiz inscrições — tudo funcionando.

Iteração rápida: o verdadeiro poder

Com o app rodando, mostrei o que considero o maior diferencial no uso de IA para desenvolvimento: a capacidade de iteração rápida. Pedi para adicionar um link do Google Maps ao campo de local dos eventos. Em segundos, o Kiro implementou a mudança e o texto do local virou um link clicável apontando corretamente para Porto Alegre no mapa.
Esse vai-e-vem — o que muitos chamam de "vibe code" — é onde a produtividade realmente aparece. Mas aqui vai o ponto crucial: um pedido genérico gera uma resposta genérica. Quanto mais preciso você for na especificação, melhor será o resultado. E é aí que entra o papel insubstituível do desenvolvedor.
Também demonstrei tarefas do dia a dia: criação de repositório Git com .gitignore contextualizado, geração de README.md completo, e criação de testes automatizados. O Kiro gerou 16 testes cobrindo todos os endpoints da API — e todos passaram na primeira execução. Depois, converti esses testes para uma collection do Postman com variáveis e instruções de execução via Newman, tudo automaticamente.

E para projetos legados?

Uma das perguntas mais relevantes veio de alguém que trabalha com um projeto de 10 anos de desenvolvimento: como usar o Kiro respeitando padrões de código estabelecidos, convenções de equipe e processos de Pull Request?
A resposta está no sistema de rules do Kiro, onde você define diretrizes que são aplicadas automaticamente. Combinado com MCPs (Model Context Protocols) para incorporar ferramentas adicionais, e com a possibilidade de criar prompts customizados reutilizáveis, a ferramenta se adapta ao contexto do seu projeto, não o contrário.
Mencionei também os agentes autônomos, ainda em preview, que prometem revolucionar o fluxo de trabalho: imagine um agente monitorando seu repositório continuamente, verificando dependências desatualizadas, analisando performance e, se um erro 500 aparecer no Datadog após um deploy, identificando automaticamente a linha problemática e criando um Pull Request com a correção. Tudo aguardando apenas a validação humana.

CLI e IDE: duas portas de entrada

Mostrei as duas interfaces disponíveis. O Kiro CLI é ideal para quem vive no terminal e quer integrar IA diretamente no fluxo de trabalho. O Kiro IDE oferece uma experiência mais estruturada, com dois modos: Vibe Code, para exploração conversacional e iteração rápida, e Spec, para planejamento orientado a requisitos, design técnico e implementação estruturada em tasks.
Na demonstração rápida do modo Spec na IDE, a partir daquela mesma descrição genérica inicial, o Kiro gerou automaticamente um documento detalhado com definição de papéis, funcionalidades de CRUD, controle de capacidade para inscrições e até relatórios para organizadores. Depois, converteu tudo em tasks executáveis que podem ser controladas individualmente.

Como começar (é gratuito)

Para quem quer experimentar, o caminho é simples: crie uma conta gratuita no builder.aws.com com seu AWS Builder ID. Não precisa de cartão de crédito nem de conta AWS. Você recebe 500 créditos de bônus inicial e uma cota mensal permanente de 50 créditos gratuitos. Para empresas que precisam de maior volume, existem licenças corporativas através de parceiros AWS.

O que eu levo desse meetup

Saí de Porto Alegre com uma certeza reforçada: os profissionais que abraçam ferramentas de IA como assistentes de produtividade, ao invés de vê-las como ameaças, estão se posicionando melhor no mercado. Não se trata de saber programar menos — se trata de saber programar de forma mais inteligente.
A IA não faz mágica. Ela precisa de alguém que saiba especificar bem o que quer, que consiga avaliar se o resultado faz sentido, que identifique falhas de segurança e que garanta que o código atende aos padrões esperados. Pessoas não-técnicas podem criar protótipos com essas ferramentas, mas sem a validação adequada de um profissional, podem introduzir problemas graves.
Se você ainda não experimentou integrar IA no seu fluxo de desenvolvimento, minha sugestão é: comece. Comece com algo pequeno, uma POC, um script, uma automação. A curva de aprendizado inicial existe, mas depois que você pega o ritmo, o ganho de produtividade é transformador.
Agradeço à Stephanie e a toda a comunidade do AWS User Group do Rio Grande do Sul pela recepção incrível. A gravação da sessão  já está disponível para quem quiser assistir na íntegra. Nos vemos no próximo meetup!
Any opinions in this article are those of the individual author and may not reflect the opinions of AWS.
Enjoyed reading this content? Let the author know!

Your likes, comments, shares, and saves help creators reach more builders.

Loading recommendations

Loading article