
Como a UNE está resolvendo a invisibilidade dos eventos locais (e salvando o caixa das casas de show)
A plataforma conecta o público à vida noturna em tempo real. Ela soluciona a invisibilidade dos eventos para os usuários e o gargalo de fluxo de caixa das casas de show, repassando a bilheteria direto ao produtor. Para crescer com resiliência e suportar a demanda sem comprometer o caixa, a startup escalará sua infraestrutura de tecnologia utilizando inicialmente os recursos do AWS Free Tier.
Como a UNE quer transformar a descoberta de eventos locais e a gestão das casas de show
A UNE nasceu de um problema que vivíamos de perto.
Em Campinas, especialmente no ambiente universitário, era comum chegar ao fim de semana com a mesma pergunta: “O que está acontecendo hoje?”
A resposta normalmente exigia abrir diferentes perfis no Instagram, procurar stories de produtoras, acessar grupos de WhatsApp ou perguntar para amigos. Muitas vezes, eventos acontecendo a poucos quilômetros de distância simplesmente não chegavam até quem poderia ter interesse neles.
Foi observando esse comportamento que começamos a desenvolver a UNE, uma plataforma criada para conectar pessoas, eventos e estabelecimentos dentro de um único ecossistema.
Mas, conforme começamos a conversar com produtores e casas de show, percebemos que a falta de visibilidade dos eventos era apenas uma parte do problema.
Do outro lado existia uma dor ainda maior: a operação de quem produz o entretenimento local.
Quer conhecer? acesse em uneapp.com.br
O problema de quem quer sair
Hoje, descobrir eventos locais ainda é uma experiência bastante fragmentada.
As informações estão espalhadas entre redes sociais, grupos, páginas de produtoras, perfis de estabelecimentos e diferentes plataformas de venda de ingressos.
Isso cria um cenário em que o usuário precisa procurar ativamente por algo que, muitas vezes, está acontecendo muito perto dele.
Além disso, os algoritmos das redes sociais não foram projetados especificamente para responder perguntas como:
O que está acontecendo perto de mim agora?
Um evento pode ser extremamente relevante para uma pessoa e, ainda assim, nunca aparecer em seu feed.
Essa fragmentação aumenta a dificuldade de decisão e reduz a descoberta espontânea de experiências locais.
Para quem está organizando um evento, o impacto também é direto: menos descoberta significa menos público potencial.
O outro lado do problema: quem organiza os eventos
Quando começamos a entender melhor o funcionamento das casas de show e produtoras, encontramos desafios que iam muito além da divulgação.
Existe uma operação complexa acontecendo nos bastidores.
Produtores precisam gerenciar:
- divulgação;
- venda de ingressos;
- promotores;
- listas VIP;
- links de campanhas;
- controle de acesso;
- relacionamento com o público;
- fluxo financeiro do evento.
Grande parte desse processo ainda depende de ferramentas desconectadas e atividades manuais.
Um exemplo simples são as listas VIP.
Diferentes promotores podem divulgar diferentes links, enquanto a produção precisa consolidar essas informações antes do evento, controlar acessos e manter as listas organizadas.
Aquilo que deveria ser uma ferramenta de aquisição de público acaba se tornando mais uma atividade operacional para a equipe.
Mas o desafio que mais chamou nossa atenção estava no fluxo de caixa.
Quando vender um ingresso não significa receber o dinheiro imediatamente
A realização de um evento envolve diversos custos antes mesmo da abertura das portas.
Estrutura, artistas, fornecedores, segurança, equipe, marketing e diversos outros serviços precisam ser pagos antecipadamente.
Ao mesmo tempo, dependendo da solução de bilheteria utilizada, o produtor pode não receber imediatamente os valores correspondentes aos ingressos vendidos.
Na prática, isso pode gerar um descompasso importante:
os custos acontecem antes, enquanto parte da receita pode chegar depois.
Para operações menores, essa diferença pode representar uma grande pressão sobre o caixa.
Foi a partir dessa percepção que começamos a enxergar a UNE não apenas como uma ferramenta para descobrir eventos, mas como um ecossistema capaz de conectar descoberta, divulgação, operação e venda de ingressos.
Construindo um ecossistema para os dois lados
A proposta da UNE parte de uma ideia simples:
o público precisa descobrir eventos com facilidade, enquanto os produtores precisam de ferramentas que simplifiquem sua operação.
Para os usuários, estamos construindo uma experiência baseada em um mapa interativo de eventos.
A ideia é permitir que uma pessoa abra a plataforma e consiga entender rapidamente o que está acontecendo ao seu redor.
Shows, festas universitárias, bares e outros eventos passam a fazer parte de uma experiência baseada em localização.
Além da descoberta, o ecossistema pode permitir que usuários:
- demonstrem interesse em eventos;
- realizem check-ins;
- descubram onde seus amigos estão;
- acompanhem estabelecimentos;
- encontrem novas experiências;
- comprem ingressos diretamente pela plataforma.
Queremos transformar o mapa em uma representação dinâmica da vida noturna da cidade.
Para os produtores, menos ferramentas e mais controle
Do lado dos estabelecimentos e organizadores, nosso objetivo é reduzir a quantidade de processos manuais necessários para operar um evento.
A plataforma foi pensada para centralizar recursos como:
- página pública do estabelecimento;
- divulgação de eventos;
- links de campanhas;
- gerenciamento de promotores;
- listas VIP;
- acompanhamento de vendas;
- dados sobre o desempenho dos eventos;
- bilheteria integrada.
Nosso modelo também busca evitar custos fixos para os estabelecimentos.
A lógica é simples:
quando o produtor vende, a UNE participa da operação.
Isso permite reduzir a barreira de entrada para casas que querem experimentar a plataforma sem assumir mais uma mensalidade antes mesmo de gerar resultado.
Repensando o fluxo financeiro da bilheteria
Uma das partes mais importantes do projeto é nossa solução de venda de ingressos.
Queremos estruturar a operação para que o dinheiro das vendas siga diretamente para a conta vinculada ao estabelecimento, reduzindo a dependência de modelos em que o valor permanece retido por vários dias antes do repasse.
Para o produtor, isso significa maior previsibilidade e controle sobre o próprio caixa.
Em um setor no qual grande parte das despesas acontece antes do evento, o tempo entre vender e receber pode fazer muita diferença.
Esse foi um dos principais aprendizados que tivemos ao conversar com o mercado.
Às vezes, inovação não significa adicionar mais uma funcionalidade.
Significa remover uma fricção que já era considerada normal.
O desafio de construir para as noites mais movimentadas
Existe também um desafio tecnológico interessante nesse modelo.
Durante boa parte da semana, o comportamento da plataforma pode ser relativamente previsível.
Mas quando chega uma sexta-feira ou um sábado à noite, vários acontecimentos podem ocorrer simultaneamente:
- milhares de pessoas procurando eventos;
- usuários consultando o mapa;
- compras de ingressos;
- acessos às páginas dos estabelecimentos;
- atualizações de listas;
- check-ins;
- consultas de localização;
- produtores acompanhando seus eventos em tempo real.
Isso significa que nossa infraestrutura precisa estar preparada para lidar com picos de demanda, sem que seja necessário manter recursos superdimensionados durante toda a semana.
Para uma startup em estágio inicial, existe ainda outro fator fundamental:
custo.
Precisamos construir uma infraestrutura capaz de crescer junto com o produto sem transformar a infraestrutura em uma barreira para a própria evolução da empresa.
Nossos próximos passos com AWS
É nesse ponto que a AWS começa a fazer parte da nossa jornada.
Estamos iniciando a evolução da infraestrutura da UNE utilizando serviços da AWS e aproveitando, quando aplicável, os benefícios disponíveis por meio do AWS Free Tier durante essa fase inicial.
Nosso objetivo não é simplesmente migrar aplicações para a nuvem.
Queremos utilizar a nuvem para construir uma base que nos permita evoluir algumas características fundamentais da plataforma:
Escalabilidade
A infraestrutura precisa acompanhar os picos de utilização que acontecem principalmente durante eventos e finais de semana.
Disponibilidade
Se alguém abrir a UNE em uma sexta-feira à noite para descobrir onde ir, a plataforma precisa estar disponível.
Segurança
Estamos lidando com usuários, estabelecimentos, pagamentos e diferentes tipos de informações que exigem uma abordagem cuidadosa de segurança.
Observabilidade
À medida que a plataforma crescer, precisamos entender rapidamente o que está acontecendo com nossos serviços e identificar problemas antes que eles impactem nossos usuários.
Eficiência de custos
Como startup, cada decisão de infraestrutura também precisa considerar seu impacto financeiro.
A possibilidade de começar pequeno e aumentar os recursos conforme a demanda cresce é particularmente importante para nós.
Começar por Campinas, aprender e depois escalar
Antes de pensar em conquistar várias cidades, queremos resolver muito bem o problema onde ele começou.
Nosso foco inicial está em Campinas, São Paulo.
Nos próximos meses, queremos aumentar nossa presença entre casas de show, produtores e eventos da região, utilizando esse período para validar o produto, entender profundamente o comportamento dos usuários e evoluir nosso modelo de negócio.
A meta é construir uma base sólida em Campinas antes de iniciar uma expansão mais ampla.
Porque escalar não significa apenas atender mais usuários.
Significa conseguir repetir uma experiência que realmente funciona.
Tecnologia como meio, não como fim
Uma das principais lições que estamos aprendendo construindo a UNE é que tecnologia sozinha não resolve um problema.
Antes de escolher serviços, arquiteturas ou ferramentas, precisamos entender o que realmente acontece na rotina das pessoas que utilizarão o produto.
Foi conversando com estudantes que entendemos o problema da descoberta.
Foi conversando com produtores que entendemos o problema das listas.
Foi observando a operação das casas que entendemos o problema do fluxo de caixa.
E é combinando esses aprendizados que estamos construindo a UNE.
Agora, nosso próximo desafio é criar uma infraestrutura capaz de acompanhar essa visão.
Estamos apenas começando nossa jornada com AWS, e ainda teremos muitas decisões, experimentos e aprendizados pela frente.
Pretendemos compartilhar parte dessa evolução aqui no AWS Builder Center, mostrando não apenas aquilo que funcionar, mas também os desafios encontrados durante o processo de construir e escalar uma startup real.
No final, nossa visão continua bastante simples:
queremos facilitar a descoberta do que está acontecendo na cidade e, ao mesmo tempo, oferecer melhores ferramentas para quem faz esses eventos acontecerem.
Porque a melhor experiência pode estar acontecendo a poucos quilômetros de você.
Você só precisa conseguir encontrá-la.
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