
A Jornada da AWS: aprendendo tecnologia através da Jornada do Herói
O que aprender AWS tem em comum com Frodo, Luke Skywalker e Neo? Mais do que parece. Neste artigo, exploro como as etapas da Jornada do Herói podem ser encontradas no processo de aprendizado em tecnologia, desde a curiosidade inicial e as dúvidas do começo até os desafios, conquistas e transformações que surgem ao longo do caminho. Uma reflexão sobre crescimento, aprendizado e a jornada de quem decide explorar o universo da computação em nuvem.
"A caverna que você teme entrar guarda o tesouro que você procura." - Joseph Campbell
Você gosta de assistir filmes? Eu pelo menos gosto bastante. Se já assistiu filmes populares como Senhor dos Anéis, Vingadores ou Star Wars você provavelmente deve ter se deparado com uma estrutura narrativa bastante similar. Não é à toa: elas seguem uma sequência de acontecimentos que é bastante popular e influente na forma como são contadas as histórias.
Essa estrutura é conhecida como Monomito, ou, para os mais íntimos, A Jornada do Herói.
Como minha mãe costuma dizer, todos somos heróis da nossa própria história. Talvez seja por isso que essa estrutura seja tão fácil de identificar também em nossas vidas, especialmente na maneira como encaramos desafios e a nossa jornada pessoal de aprendizado.
Pensando nisso, e também atrelado a minha atual trajetória em conhecer e aprender os conceitos da AWS, percebi que existe um paralelo interessante entre a Jornada do Herói e o processo de aprendizado em tecnologia. Foi assim que surgiu a ideia da "Jornada da AWS": uma forma de enxergar a evolução de quem está aprendendo sobre tecnologia através das etapas que moldam as grandes histórias do cinema e da literatura.
Embora a Jornada do Herói seja composta por várias etapas e tenha diferentes interpretações, vamos resumir seus principais momentos e observar como eles aparecem na trajetória de quem está aprendendo AWS.
1 - O Mundo Comum
Não estamos na Terra-média nem em uma galáxia muito, muito distante. Na nossa jornada, o Mundo Comum representa justamente a zona de conforto.
É o ponto em que seguimos nossa rotina, sem nos desafiar a aprender algo novo, criar algo do zero ou experimentar um novo hobby. Tudo parece familiar e não existem grandes obstáculos pelo caminho.
Contudo, também não existe a promessa de transformação. Afinal, toda grande mudança começa quando decidimos dar o primeiro passo para fora daquilo que já conhecemos.
2 - O Chamado para a Aventura
Como em toda boa história, em algum momento o protagonista é tirado da sua zona de conforto, seja por uma oportunidade, uma tragédia ou obra do destino.
Frodo recebeu um anel para destruir. Luke recebeu uma mensagem. Neo recebeu uma escolha.
Na jornada de aprendizado em tecnologia, esse chamado costuma ser um pouco menos cinematográfico, mas não menos importante. A convocação pode ser feita de várias formas: um vídeo no YouTube, uma palestra na faculdade ou a inesperada (e quase onipotente) vontade de fazer algo diferente.
As possibilidades são incontáveis. O importante é que, em algum momento, algo desperta a nossa curiosidade e nos faz olhar para além do que já conhecemos.
3 - A Recusa do Chamado
Não, os heróis dos filmes que marcaram nossa infância não aceitaram suas jornadas logo de cara. Da mesma forma que o chamado para a aventura desperta curiosidade, ele também desperta dúvidas e inseguranças.
Computação em nuvem parece interessante, mas também parece complexa demais para entender. "Lambda" não era só o nome de uma variável nas fórmulas das aulas de física? São várias siglas, serviços e uma quantidade quase infinita de informações para aprender.
É natural surgir questionamentos como:
- "É difícil demais pra mim"
- "Melhor começar por outro assunto"
Todo herói hesitou antes de iniciar sua jornada. No aprendizado em tecnologia, essa hesitação é mais comum do que imaginamos.
Entretanto, nenhuma história memorável narra a jornada de um herói que decidiu não partir.
4 - Encontro com o Mentor
Depois de receber seu chamado, o herói raramente segue sozinho.
Harry Potter teve Dumbledore, Frodo teve Gandalf e Neo teve Morpheus. Em algum momento, surge a figura de alguém para oferecer orientação, experiência e dar confiança ao herói para seguir trilhando seu caminho.
Na vida real, nem sempre os mentores são pessoas. Às vezes, eles aparecem na forma de um amigo mais experiente, de um professor, de uma comunidade ou de uma plataforma que ajuda a transformar curiosidade em direção e resultado.
Foi nesse momento da minha jornada que eu conheci o AWS Builder Center .
Diante de tantos caminhos possíveis, ter uma direção clara faz toda a diferença. Em muitos casos, basta um pequeno incentivo para transformar insegurança em evolução.
5 - A Travessia do Primeiro Limiar
O mentor aponta o caminho, mas ele não pode trilhá-lo pelo herói. É o ponto onde é dado o primeiro passo rumo ao desconhecido.
Na prática, foi quando deixei de apenas assistir videoaulas e passei a praticar o que estava aprendendo.
Explorar serviços, praticar em laboratórios e aprender com meus erros transformou o que era abstrato para algo palpável. O que eu aprendia começava a fazer sentido e ideias finalmente começavam a ganhar forma.
A aventura começou.
6 - Testes e Aliados
Seria bom demais para ser verdade se a jornada do herói fosse feita apenas de vitórias. Muito pelo contrário, nas maiores histórias do cinema e da literatura o triunfo do protagonista só vem depois de muitos desafios e amadurecimento.
Trazendo para o nosso contexto real, é o ponto de conflito entre a teoria e a prática. O que antes era algo interessante por ser novo passa a exigir conhecimento e entendimento mais consistente. Cada nova tarefa traz mais perguntas do que respostas e o cuidado com a documentação se torna essencial.
É nesse momento que a jornada fica mais real do que nunca.
Porém, como em toda boa história, o herói não encara os desafios sozinho. Os aliados surgem ao longo do caminho: elfos, anões, seres mágicos ou, no nosso caso, colegas de estudo, comunidades e experiências compartilhadas.
7 - Provação Suprema
Em toda jornada há sempre um momento decisivo. Aquele momento em que o herói precisa encarar seu maior obstáculo e ver se o seu arco de treinamento teve resultados.
Na vida real, essa provação não se parece muito com dragões, bruxos do mal ou batalhas épicas. Muitas vezes, esse desafio vem na forma de um problema impossível de se resolver à primeira vista.
É exatamente o momento onde a empolgação inicial já passou e a motivação inicial sozinha já não é mais o suficiente.
As dúvidas voltam a aparecer e a insegurança ameaça reaparecer. Por um momento, voltar pro ponto inicial parece ser melhor do que seguir avançando.
Na tecnologia, esse costuma ser o momento em que tudo precisa funcionar junto. Não basta mais assistir conteúdos, concluir laboratórios ou entender conceitos isoladamente. Chega a hora de aplicar o conhecimento para resolver problemas reais.
Talvez seja construir seu primeiro projeto mais complexo, participar de um desafio técnico ou simplesmente sair da zona de conforto para criar algo sem um passo a passo guiando cada decisão.
Mas é justamente nesse ponto que a superação acontece.
A Provação Suprema não existe para mostrar o quanto o herói sabe. Ela existe para mostrar o quanto ele cresceu desde o dia em que decidiu partir.
8 - Recompensa
Depois de superar seu maior desafio, o herói finalmente recebe sua recompensa.
Nas histórias, ela costuma aparecer na forma de um tesouro, de um artefato lendário ou da conclusão de uma grande missão. Na nossa jornada, entretanto, a recompensa costuma ser um pouco diferente.
Ao final desse processo, o maior ganho não está em um laboratório concluído, em um projeto entregue ou em uma certificação conquistada. A verdadeira recompensa está na transformação que aconteceu ao longo do caminho.
Aquilo que antes parecia impossível agora parece alcançável. Os conceitos que pareciam complexos começam a fazer sentido. O medo de errar dá lugar à confiança para experimentar, testar e continuar aprendendo.
Talvez o maior prêmio de todos seja perceber que o desafio nunca foi apenas aprender uma nova tecnologia. Era provar para si mesmo que você era capaz de aprender algo que, um dia, parecia distante demais.
E quando essa percepção chega, o herói entende que o tesouro que procurava não estava apenas no destino, mas também na pessoa em que se tornou durante a jornada.
9 - Retorno com o Elixir
Toda grande jornada termina da mesma forma: o herói retorna para casa.
Mas ele não retorna como a mesma pessoa que partiu. Depois de todos os desafios, aprendizados e transformações, ele traz consigo algo valioso para compartilhar com os outros. Esse é o chamado "elixir".
Na jornada de aprendizado em tecnologia, o elixir não é um objeto mágico nem um tesouro escondido. Ele aparece na forma de conhecimento, experiência e da vontade de ajudar quem está começando o mesmo caminho.
É quando compartilhamos uma descoberta, ajudamos um colega a resolver um problema ou produzimos conteúdo para tornar a jornada de outra pessoa um pouco mais fácil.
Afinal, o conhecimento ganha ainda mais valor quando deixa de ser apenas nosso e passa a impulsionar a evolução de outras pessoas.
Ao olhar para trás, percebo que aprender AWS nunca foi apenas sobre dominar serviços ou compreender conceitos de computação em nuvem. Foi sobre aceitar desafios, superar inseguranças e crescer ao longo do processo.
E talvez essa seja a maior lição da Jornada do Herói: o verdadeiro tesouro não está no destino final, mas na transformação que acontece ao longo do caminho e no impacto que podemos gerar quando compartilhamos aquilo que aprendemos.
Enjoyed reading this content? Let the author know!
Your likes, comments, shares, and saves help creators reach more builders.
Loading recommendations
Loading article